Catálogo

Literatura Infantojuvenil

Uns Quatro ou Nove

Autor(a) : Antônio da Rocha Marmo

Preço : R$ 28,00

N° de páginas : 64

N° do ISBN : 978-85-8058-016-7

UNS QUATRO, NOVE ... OU MAIS CAMINHOS

A literatura destinada às crianças sempre oscilou entre as funções de instruir e divertir. Monteiro Lobato, que em seu tempo não punha muita fé na eficácia da escola, na sua série infantil ambientada no Sítio do Picapau Amarelo, optou pelas duas funções, pendendo ora mais para a imaginação, ora mais para o didatismo. Ainda que os autores de hoje tenham, em sua maioria, devolvido à escola a tarefa de ensinar e prefiram investir mais no estímulo à imaginação, o próprio fato de as escolas do Ensino Fundamental serem o maior público consumidor de livros literários tem ensejado o aparecimento de obras que, como as de Lobato, procuram estabelecer uma ponte entre o ensino e o prazer. É o caso deste Uns quatro ou nove, de Antonio da Rocha Marmo.
A capa, com traços que parecem feitos a mão, desafia o leitor com seu título instigante: Uns quatro ou nove. Quatro ou nove o quê? O narrador, um menino de talvez nove ou dez anos, está desorientado, perdido numa floresta. Enquanto procura se localizar na busca de uma saída, vai encontrando diversos animais da fauna brasileira. Uma voz, que não consegue identificar, parece chamá-lo à distância. Até aí, tem-se uma típica história de aventura, que poderá ter um desfecho pela via do racional ou da fantasia. Mas o viés didático intervém, e para cada animal que o menino encontra, o autor insere um quadro explicativo, com informações científicas sobre ele.
Falando com um papagaio e depois com uma coruja, o narrador fica sabendo que não existe apenas um caminho para sair daquela mata, mas muitos caminhos, “uns quatro ou nove”, explicação que justifica o inusitado nome do livro. Os diálogos entre o protagonista e os animais dão oportunidade a diversos comentários sobre temas em voga, como os maus- tratos de animais em circos, a corrupção na política, o gerundismo, a preservação do meio ambiente,  temas trabalhados obliquamente. O que predomina, porém, são as informações de zoologia sobre animais da América do Sul. O teor didático se intensifica nos quadros cujas informações devem ser pesquisadas pelo leitor, uma tarefa a mais a ser cumprida fora da escola.
A voz que o narrador ouve chamá-lo aumenta em volume e em veemência: é a mãe, chamando-o para levantar, tomar café e ir para a escola, é dia de prova de Ciências. A aventura termina aí, e agora vem a realidade. É o clima de angústia da prova final. Uma situação que cada leitor conhece, seja grande ou pequeno, pois quem nunca teve pesadelos na véspera de um exame?

Vera Maria Tietzmann Silva

 

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